quinta-feira, 15 de julho de 2010
Datas
Não gosto de datas nas coisas, principalmente documentos. Datas me esquecem para o importante. Datas impregnam as coisas de marcação, fazendo sobressair um fio ininterrupto de nostalgia. Datas se sobrepõem umas as outras, consecutivizam-se (e provocam conjugações horrorosas, como uma das que acabei de praticar). É a máthesis atropelando o dizer despretensioso. Chegam, anunciam-nos, como um ambulante que propala o biscoito de polvilho e depois sai do ônibus. Do que falávamos na quarta-feira? O mundo é impreciso, é sua necessidade, respeitemo-la. Viu isso? Novamente, elas. Fotos com datas, textos com datas, amores com datas. E se ainda estou na foto? Se o filme ainda não saiu de mim? O livro permanece aberto, ainda amo e setembro me diz tanto quanto outubro. Só devia haver uma data nessa vida. Nem nascimento, nem morte. Data do meio, fiel ao homem e seu acontecer. Mais saudades passariam despercebidas e quando menos esperássemos... mais um dia.
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